Um
grupo de trabalho criado nesta terça-feira pelo presidente da Câmara,
Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), vai procurar encontrar pontos de
consenso para uma nova redação à emenda constitucional que tira poderes
de investigação do Ministério Público, a PEC 37. Pelo acordo obtido na
reunião, o texto deverá deixar clara qual é a atribuição do Ministério
Público e da Polícia Federal nas investigações, sem retirar poderes dos
promotores. A decisão foi tomada depois de reunião de Henrique Alves com
o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o diretor-geral da Polícia
Federal, Leandro Daiello Coimbra, representantes do Ministério Público e
da Polícia Federal. Ficou decidido que o grupo terá quatro
representantes do MP, quatro da Polícia Federal, dois do Senado, dois da
Câmara e um do Ministério da Justiça. A primeira reunião foi marcada
para o dia 7 de maio, às 14h, no Ministério da Justiça. O grupo deverá
terminar seu trabalho até 30 de maio. "Nós queremos o aperfeiçoamento da
PEC 37. Nós queremos que este tema não tenha nem vencedores nem
vencidos. O Brasil quer cada vez mais o combate à impunidade e à
corrupção, que prevaleça a ética em todos seus processos. Então isso não
pode ensejar nenhum tipo de radicalização, muito menos de
emocionalismo, tem que ser o equilíbrio, bom senso e serenidade", disse
Henrique Alves, depois da reunião. Já o ministro da Justiça disse que
ficou claro que Ministério Público e polícia têm que estar juntos no
combate à criminalidade, juntos na defesa do Estado de Direito. Não
separados, não brigando. Segundo Cardozo, o grupo de trabalho vai
definir o conteúdo da emenda constitucional, de forma a deixar claro o
que cada setor vai fazer. "Repartição das atividades de investigação
criminal, o que cabe ao Ministério Público e à Polícia Federal, o
procedimento investigatório, quando, por exemplo, realizado pelo MP,
quais as regras, como deve haver o processamento, quais os prazos.
Enfim, vão debater em todos os aspectos polêmicos que tem afastado
institucionalmente MP e polícia", disse o ministro.
Maioria dos deputados ouvidos é contra PEC 37
A
PEC 37 tira do MP o poder de realizar investigação criminal,
restringindo esse procedimento às polícias Civil e Federal. Dos 22
deputados federais do Ceará, 10 se dizem contrários à Proposta de Emenda
à Constituição (PEC) 37, que tira do Ministério Público o poder de
realizar investigação criminal. Parte da bancada, porém, não tem opinião
formada sobre o assunto e faz ressalvas à atuação do MP. Coordenador da
bancada cearense no Congresso, Antonio Balhmann (PSB) se declara
favorável a que o Ministério Público promova investigações, mas afirma
que o órgão “muitas vezes comete injustiças, principalmente quando expõe
publicamente pessoas que ainda não foram julgadas.” Para Manoel
Salviano (PSD), o recente afastamento de Cirilo Pimenta (PSD) da
prefeitura de Quixeramobim, após operação do Ministério Público e da
Polícia Civil, pode influir na avaliação que os parlamentares façam da
PEC. Segundo o MP, a gestão de Pimenta fraudou licitações da ordem de R$
6 milhões. Com informações de O POVO.
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